Bitcoin não é dinheiro! Será?

2018-04-04T11:59:32+00:00 4 abril 2018 - 11:56 am |Categorias: Blockchain|0 Comentários

Muitos se escuta que o Bitcoin é uma bolha e que não funciona como dinheiro. Percebe-se que há uma hipocrisia quando se reconhece que o Bitcoin usa uma tecnologia disruptiva, mas o querem igualar ao que já existe no mundo.

O termo “disrupção” é usado por  Clayton Christensen para descrever inovações que oferecem produtos acessíveis e criam um novo mercado de consumidores, desestabilizando as empresas que eram líderes no setor. Para Joseph Bower

“Quando a tecnologia que tem o potencial de revolucionar uma indústria emerge, as empresas tradicionais geralmente a consideram pouco atraente: não é algo que seus clientes querem, e suas margens de lucro projetada não são suficientes para cobrir a estrutura de custos de grandes empresas.  A nova tecnologia tende a ser ignorada em favor do que é atualmente popular com os melhores clientes. Mas depois outra empresa entra para trazer a inovação para um novo mercado. Assim que a tecnologia disruptiva se estabelece lá, a inovação, em menor escala, eleva rapidamente a adoção dessa nova tecnologia. “

Atualmente comparam o Bitcoin com o dinheiro tradicional em relação as “3 características básicas do dinheiro” que seriam:

  1. Deve ser um meio de troca;
  2. Deve ser uma unidade contábil;
  3. Deve servir para acumular valores.

O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, alegou que o Bitcoin não atende o requisito de reserva de valor, por isto fracassou como dinheiro. E é verdade que, de fato, o Bitcoin ainda não conseguiu se tornar uma reserva de valor. A volatilidade da moeda traz muita insegurança aos possuidores e estes sim poderão sentir o Bitcoin como uma Bolha. Mas é inegável que como sistema contábil a tecnologia blockchain é muito superior as existentes e, como meio de troca, se formos olhar principalmente em relação a transferências internacionais, o Bitcoin e as outras Altcoins são muito melhores que o sistema financeiro atual, que cobra taxas elevadas para um serviço que pode demorar dias, enquanto no criptoespaço a transferência para qualquer pessoa no mundo pode levar alguns segundos.

Para termos ideia do potencial deste mercado, segundo  o Banco Mundial, as remessas totais enviadas em 2016 ficaram acima da marca de US$ 530 bilhões e cresceram a um CAGR de 10,4% desde 2000, representando um significativo mercado global de serviços. O custo médio  de remessas no terceiro trimestre de 2017 foi de 7,21% (do total do principal enviado).

Os custos de remessas internacionais estão em queda, mas por que? Claro que o aumento de fintechs e da concorrência, inclusive a concorrência do mercado de criptomoedas, está jogando os custos para baixo e isto já apresenta um dos benefícios da disrupção proporcionada pelo Bitcoin.

E como alerta e principal conclusão deste texto,  talvez o Bitcoin não seja adequado para reserva de valor, mas para remessas internacionais seguramente é a melhor forma de ser realizada. O Bitcoin só será bolha para quem especula e não para quem foca nos outros benefícios que ele proporciona.

 

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