Quais as perguntas que me fizeram sobre Blockchain e criptomoedas?

2017-10-07T19:45:54+00:00 7 outubro 2017 - 7:45 pm |Categorias: Blockchain|1 comentário

No dia 29/09 participei de duas apresentações no Mackenzie com o tema Blockchain e a mudança que está provocando e irá provocar em nossas vidas. Uma de manhã e outra a noite.

Agradeço imensamente a oportunidade dada pelo Mackenzie e pela Oracle em poder participar da V Semana da FIC — 2017, ainda mais com um tema super interessante envolvendo Criptomoedas Blockchain. Foi tão interessante que a noite acabei a apresentação pontualmente as 22:00 mas os alunos ficaram perguntando várias coisas e lá ficamos até as 22:45.

Por essa razão, resolvi colocar neste artigo algumas das perguntas que os alunos fizeram durante a apresentação.

Qual a minha visão sobre a interferência do Estado em relação as criptomoedas?

Vemos alguns exemplos de como o Estado está procurando regular esse mercado. No início do ano países como Japão e Austrália liberaram o uso das criptomoedas. Por outro lado, a China — país que conceitra grande poder de mineração de de moedas virtuais — está procurando restringir várias atividades ligadas as criptomoedas.

Estados Unidos basicamente recomendam que se paguem os impostos devidos e que se declare o que se tem. No Brasil as discussões acontecem na Câmara dos Deputados através de uma comissão parlamentar.

Minha visão é que o Estado deve interferir o mínimo possível. Mas que esse mínimo passa por evitar usos criminosos como lavagem de dinheiro, pirâmides e financiamento de projetos inexistentes. Essa interferência deve ser no máximo em proteger as pessoas.

Bitcoin é opensource?

Sim, e pode ser baixado em https://bitcoin.org/en/bitcoin-core/

Posso baixar o banco de dados do Bitcoin?

Pode. Hoje a base de dados do Bitcoin possui cerca de 150 GB com todas as transações que aconteceram desde o primeiro bloco em 2008 até hoje. Contudo esses dados também estão disponíveis em vários sites na Internet. A não ser que se tenha um bom motivo para baixar esse banco de dados (por exemplo, mineração) é mais fácil consultar os dados via sites na Internet.

Veja http://blockchain.info/ e http://blockexplorer.com/ para exemplos de sites onde se pode explorar os blocos Bitcoin criados e validados.

Porque Hyperledger não precisa de uma criptomoeda?

A plataforma Hyperledger em sua implementação Fabric se baseia na ideia de que as instituições envolvidas são confiáveis. Se elas já são confiáveis entre si, não haverá mau uso da Blockchain.

Hyperledger é categorizada como uma permissioned Blockchain. Isso significa que apenas as entidades autorizadas poderão usufruir da plataforma. O uso da criptomoeda é livre mas em geral não é necessária quando envolvendo associações limitadas entre empresas e organizações.

Porque Ethereum e Ripple precisam de criptomoedas?

Ethereum possui a criptmoeda Ether ou ETH. Já a plataforma Ripple possui uma criptomoeda de mesmo nome e símbolo XRP.

Nas Blockchains públicas a criptomoeda é usada como uma forma de evitar o mau uso da plataforma (como spam ou requisições desnecessárias) e de acordo com o tipo de ação realizada. Por exemplo, uma operação envolvendo o uso de um contrato inteligente será mais custosa que uma operação de transferência direta de um ativo digital.

Na plataforma Ethereum o custo de uma operação na blockchain é mensurada em unidades de GAS, valor esse que é convertido para ETH de acordo com eventuais necessidades de flutuação de preço GAS-ETH.

Na plataforma Ripple as moedas virtuais Ripple são usadas como parte de todo o processo transacional. As moedas servem como pagamento pelo uso da rede e como garantia de valor.

Qual participação os bancos terão na disputa com as criptomoedas?

Esta é ainda uma incógnita. Os bancos também estão se movimentando para entender as criptomoedas e os clientes também estão passando a exigir isso. Alguns dizem ignorar, como o presidente do Banco JPMorgan que se referiu ao Bitcoin como uma fraude e dois a três dias depois, com a queda do valor da moeda, compraram grandes quantidades.

Uma coisa contudo é fato: o mercado financeiro está MUITO interessado na tecnologia Blockchain.

Que tipo de inovação ainda pode acontecer com as criptomoedas?

Muita coisa ainda pode acontecer com as criptomoedas. Por exemplo, estorno é uma operação que ainda não existe no Bitcoin. Se eu mandar algum dinheiro para alguém, não tem como estornar a não ser conversando com a outra parte. Isso em parte pode ser resolvido com a introdução dos contratos inteligentes.

Eu particularmente acho horrível lidar com os hashes que permeiam as criptomoedas. Ainda é algo muito difícil para o usuário comum. Neste caso um banco por exemplo pode conseguir criar uma forma mais amigável para se lidar com elas. Outro espaço de inovação importante.

Exemplos da aceitação de criptomoedas pelo mundo?

  • Japão com mais de 260.000 estabelecimentos comerciais aceitando Bitcoin.
  • Shoppings no Brasil aceitando pagamentos com Bitcoins.
  • O lançamento de uma máquina ATM num shopping em São Paulo para compra e venda de Bitcoins

Todas as criptomoedas possuem mineração?

O processo de mineração se refere a validação e criação de novas moedas virtuais. Então todas passam por algum mecanismo de mineração. Mas alguns pontos são diferentes entre uma e outra. Por exemplo:

  • No Bitcoin existe um limite de fornecimento de Bitcoins de 21 milhões de moedas. Esse limite será atingido no ano de 2.140. Hoje existem 16.500.000 de moedas virtuais em circulação.
  • Para Ethereum não existe um fornecimento limite. As moedas são geradas durante o processo de mineração a uma base de 5 ETH por bloco minerado.
  • Para Ripple todas as moedas já foram pré-mineradas pela empresa. Essas moedas são em parte guardadas pela própria empresa e outra parte fica em poder dos bancos e investidores. Existe um processo de mineração para ajudar a validar as transações.

Como é determinado o valor de uma criptomoeda?

Muitos fatores influenciam o valor de um ativo e, nesse caso, também de uma criptomoeda, tais como:

  • ecossistema (pessoas e organizações que usam)
  • custos de mineração
  • interesse das pessoas

As criptomoedas são todas iguais?

Não, cada uma deles procura se estabelecer no seu espaço próprio. Inclusive com algoritmos muito diferentes entre si. Bitcoin é basicamente uma moeda para transações de transferência. Existem moedas virtuais específicas para IoT tal como a IOTA.

Bitcoin permite rastreabilidade total de todas as transações. Se alguém quiser auditar é possível. Já Monero tem o objetivo de impedir essa rastreabilidade mas preservando a integridade das transferências.

Minerar vale a pena?

Hoje apenas grandes mineradores conseguem minerar Bitcoin e ter um bom lucro. Mineradores menores lucram muito pouco com a moeda — e em países como o Brasil, onde a energia elétrica é mais cara, boa parte desse faturamento ainda será direcionado para o pagamento dessa conta. Além, claro, dos impostos.

Recomendo a visita ao site Whattomine para verificar quais moedas são interessantes para mineração com base em parâmetros brasileiros. Vale a pena entender o conceito de hashes por segundo (muito usado para medir a performance dos equipamentos) e realizar algumas contas para avaliar o retorno.

Eu escrevi um artigo sobre a minha experiência com a mineração da moeda virtual Ethereum. Veja em:

Como escolher qual plataforma Blockchain usar para um projeto?

Se a ideia for criar uma Blockchain com um caráter mais privado ou envolver o uso de apenas algumas instituições bem conhecidas o uso de Hyperledger e Ripple e plataformas similares é uma opção.

Porém se a ideia for criar uma solução com um caráter mais global é interessante avaliar se as plataformas públicas de Blockchain como Ethereum e Bitcoin podem atender aos anseios do projeto.

Quais as referências para entender mais sobre o assunto?

Eu recomendo:

Slides da apresentação

Seguem os slides apresentados para os alunos do Mackenzie. Quer saber mais? Me pergunte. Auxilie divulgando o meu perfil, seja curtindo, compartilhando ou comentando meus artigos.

 

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Fernando Galdino é Arquiteto de Soluções para o Setor Público da Oracle do Brasil. As opiniões emitidas neste artigo são de caráter pessoal e não representam as opiniões da Oracle ou de seus empregados.

Um Comentário

  1. joaolyra 8 outubro, 2017 at 21:29

    Gosto muito do Livro Blockchain para negócios, do Mougayar. Acrescentaria ele também na bibliografia recomendada.

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